*Porém, duas semanas depois, Rózsa devolveu Lily. O marido dela tinha imposto um ultimato cruel: ou eu e o nosso filho… ou aquela menina.
Quando ela entrou novamente no orfanato com a criança a karján, todos ficaram em choque. Rózsa – a mulher que sempre amara crianças –, simplesmente deixou Lily lá, sem qualquer explicação.
Todos os funcionários, inclusive o meu marido, ficaram com lágrimas nos olhos.
Lilike chorava desesperadamente, gritando entre soluços:
“Mamãe, por favor, não me deixe aqui! Leva-me contigo!”
Mas Rózsa nem sequer olhou para trás. Apenas virou-se e foi embora em silêncio. Naquele mesmo dia, entregou a sua carta de demissão.
Passaram-se muitos anos até eu ouvir essa história pela primeira vez.
Meu marido chegou em casa após o trabalho e contou que tinha encontrado Rózsa no supermercado. Depois de muito hesitar, decidiu perguntar-lhe sobre aquele episódio doloroso.

Rózsa confessou que, desde o primeiro dia, Lilike se comportava de maneira totalmente descontrolada: não deixava ninguém se aproximar da mulher, fazia escândalos terríveis, atacava o filho de Rózsa com garfos e pratos e, certa vez, chegou até a feri-lo seriamente.
O marido de Rózsa, por sua vez, a menina simplesmente não suportava — recusava-se até a ouvi-lo.
No início, a família tentou ser compreensiva, mas houve um acontecimento que mudou tudo.
Certa madrugada, Rózsa acordou e encontrou Lilike parada ao lado da cama: numa mão segurava uma tesoura, na outra… um punhado do cabelo de Rózsa.
Por que fez aquilo? Ninguém sabe até hoje.
Depois desse episódio, o marido de Rózsa não aguentou mais e forçou-a a escolher: a família deles ou Lilike.
Os pais biológicos da menina nunca a procuraram novamente, e ela acabou sendo transferida para outro abrigo. Infelizmente, ninguém sabe o que foi feito do seu destino a partir daí.







