Era para ser um sábado comum — eu e minha filha de cinco anos, Naomi, fomos almoçar no nosso café favorito perto da universidade onde eu ensino literatura.
Desde que meu marido André faleceu há dois anos, eu me esforçava para garantir à Naomi uma sensação de estabilidade: os mesmos caminhos, os mesmos rituais, os mesmos almoços aconchegantes só nós duas.
Naquele dia, Naomi estava desenhando estrelinhas no guardanapo e sorrindo. De repente, ela parou e disse baixinho:
— Mãe, aquele garçom parece o papai.
Era para ser um sábado comum — eu e minha filha de cinco anos, Naomi, fomos almoçar no nosso café favorito perto da universidade onde eu ensino literatura.

Desde que meu marido André faleceu há dois anos, eu me esforçava para garantir à Naomi uma sensação de estabilidade: os mesmos caminhos, os mesmos rituais, os mesmos almoços aconchegantes só nós duas.
Naquele dia, Naomi estava desenhando estrelinhas no guardanapo e sorrindo. De repente, ela parou e disse baixinho:
— Mãe, aquele garçom parece o papai.
Me virei — e fiquei sem fala.Alto, o mesmo jeito de andar, o mesmo sorriso carinhoso. E… a cicatriz atrás da orelha esquerda — idêntica à do André. Não podia ser coincidência.
Mas… nós o enterramos. Havia documentos, um atestado oficial. Naquele acidente, nem o corpo foi encontrado, só os pertences. Eu passei pelo luto. Tentamos reconstruir nossas vidas.







